quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Contra os donos de escravas...

´Foi há tantos anos, foi há dois mil anos
Que vi no amor o meu Cristo
Que me mostraste um amor imprevisto
Que me falaste na pele e no corpo a sorrir

Meus olhos fechados, mudos, espantados
Te ouviram como se apagasses
A luz do dia ou a luta de classes
Meus olhos verdes ceguinhos de todo para te servir

(...)

Filhos e cadilhos, panelas e fundilhos
Meteste as minhas mãos à obra
E encontraste momentos de sobra
Para evitar que o meu corpo pensasse na vida

Teus olhos fechados, mudos e cansados
Não viam se verso, se prosa
O meu suor era o teu mar de rosas
Meus olhos verdes, janelas de vida fechados por ti

(...)

Pegas-me na mão e falas do patrão
Que te paga um salário de fome
O teu patrão que te rouba o que come
Falas contigo sozinho para desabafar

Meus olhos parados, mudos e cansados
Não podem ouvir o que dizes
E fico à espera que me socializes
Meus olhos verdes
Boneca privada do teu bem estar

(...)

Sou tua criada boa e dedicada
Na praça, na casa e na cama
Tu só vês quando vestes pijama
Mas não me ouves se digo que quero existir

Meus olhos cansados ficam acordados
De noite chorando esta sorte
De ser escrava prá vida e prá morte
Meus olhos verdes
Vermelhos de raiva para te servir

A tua vontade, justiça igualdade
Não chega aqui dentro de casa
Eu só te sirvo para a maré vaza
Mas eu já sinto a minha maré cheia a subir

Meus olhos cansados abrem-se espantados
Prá vida de que me falavas
Pra combater contra os donos de escravas
Meus olhos verdes
Que te vão falar e que tu vais ouvir

(...)

Sei aquilo que fui e que jamais serei`...

Mafalda Veiga & João Pedro Pais

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pensamentos... Manual de Sobrevivência!

Controlar os pensamentos é uma virtude!
Quantas vezes nos acontece, quando estamos perante um acontecimento, bom ou mau, patentearmos sentimentos de contentamento ou tristeza, num efeito acção-reacção muito rápido.
Se eu perguntar a qualquer pessoa, como se sente se ganhar no euro milhões, a resposta será contente, como é óbvio!
Se, por outro lado, estamos perante uma situação que nos crie alguma ansiedade, como por exemplo, passar a hora de um telefonema importante, a reacção é imediata e surge a tristeza...
Porque é que pensamos assim?
Entre os acontecimentos e os sentimentos, existem os pensamentos automáticos negativos ou positivos, que surgem à velocidade da luz, sem darmos por isso...
O namorado tefefona à namorada, todos os dias às onze da noite, mas naquele dia não aconteceu... O sentimento que surge imediatamente é a tristeza. O que não nos apercebemos é que no intervalo, acontecimento-sentimento surgiram, em "dois milésimos de segundo", os pensamentos automáticos negativos, como por exemplo "ele já não gosta de mim", "ele não quer falar comigo", "ele está com outra pessoa" e pior do que isso, tomamos esses pensamentos automáticos negativos como sendo verdadeiros.
A sugestão é que devemos ter consciência que existem esses pensamentos negativos e temos de parar de os tomar como leituras infalíveis da realidade, ou seja, devemos considerar a possibilidade de eles estarem totalmente errados. Depois devemos submeter a interpretação dos nossos pensamentos automáticos a uma análise objectiva, ou seja, "ele não quer falar comigo", se calhar porque não pode naquele momento... ou aconteceu algo que o impediu... Não diminui a ansiedade, mas diminui a tristeza!
Outra questão que podemos colocar a nós próprios, e que quase sempre é útil, é a seguinte: "O que diríamos a um amigo que estivesse a pensar dessa maneira?

Pensando bem... se ganhasse o euromilhões iria ficar triste, porque, como diz o outro, afinal o dinheiro não traz felicidade!!!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Conformismo...

"Uma nêspera
estava na cama deitada,
muito calada, a ver
o que acontecia
Chegou a Velha e disse:
- Olha uma nêspera!
e, zás! - comeu-a.
É o que acontece às nêsperas
que ficam deitadas, caladas,
a esperar
o que acontece!"

Mário Henrique Leiria