segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Íssimo...

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…

Álvaro de Campos

5 comentários:

Anónimo disse...

"Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…"

:)

R.

Anónimo disse...

Lindo este contraponto...

Anónimo disse...

Mesmo com todo esse cansaço, ninguém te pára...
Admiro-te imenso, como tu já sabes! :)

Beijo

Marta

Ps: ainda bem que liberalizaste os comentários, assim é mais fácil! ;)

Anónimo disse...

Anita... :)

Por quanto tempo ficas longe?
Por quanto tempo te guardas?
Por quanto tempo te vais esconder?

E quem te leva os teus fantasmas?

Não sei quem te perdeu...

Anónimo disse...

Linda esta menina...
Quem já teve a oportunidade de privar com ela, sabe o quão "grande" ela é...
No entanto, desconfio que poucos o saberão realmente...

Beijo

Su