terça-feira, 27 de maio de 2008

Bom feeling...

Senta-te um pouco aí, tira os sapatos, recosta-te na poltrona já gasta por uma vida debaixo do alpendre e deixa-te levar pelo coração...
Ouve a doce voz que te embala e te faz recordar as histórias de berço...
O vento suave levará para longe todos os cansaços dos dias passados...
Capta a energia que há ao teu redor... sente o sabor, a textura, o som, o cheiro!
Não deixes que os dias te pesem nas costas e não te percas do ritmo musical presente no pleno encantamento da lua...
Descansa. Fecha os olhos...


Se eu adormecer, depois acorda-me... num tom baixinho...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Olhar sobre a aparente apatia...

O sabor do dia após o outro está repleto de um humor desencantado onde, sem grandes dramatismos (ou será esta aparente apatía um sintoma de pânico total?), nos toca num ponto tão sensível como sermos capazes de aceitar que existe em nós uma grande dose de acaso e de sorte no rumo das nossas vidas, que escapa completamente ao que podemos controlar e dominar. A falta de sentido custa e dói, mas é de uma probabilidade demasiado forte, de vez em quando morde-nos a alma no momento de avançar, quando os dias se revelam mais preguiçosos e desinteressados. À margem, uma estranha e indefinível relação entre o ser e o estar, entre os afectos e as formas, entre lágrimas e as luzes da ribalta... Ao nosso lado, alguém em lugares de passagem, à procura, desta vez, não nas margens, mas no centro do pressentimento desse "alguém", tão denso e tão leve, ao mesmo tempo, tão duro e tão comovente como é a vida de todos os dias...
Bom mesmo, é rever momentos, dos dias ou das noites, que nos parecem poder ser eternos, têm esse sabor incerto da memória pressentida, do que vamos talvez poder guardar para sempre, do que queremos poder salvar de um tempo que apaga e rasga tanto de nós.
Enfim, resta-nos continuar a tentar dar um pouco de côr e sentido aos gestos, às palavras, aos momentos e acreditar que, em cada "jogada", a bola poderá cair do lado certo da rede.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um pouco de sol...

...tenho saudades das noites de Verão, do sol a entrar quente pela janela e do entardecer tardío a fazer os dias mais longos e as noites a escurecer à hora que é a certa...
...a pele mais morena e a roupa mais leve, os passeios ao fim da tarde, as coisas que se combinam quando o tempo nos dá tempo...
Abre-se a janela e o sol, afinal, vem embrulhado num ar gelado que se cola à ponta do nariz e fica lá agarrado quase para sempre e, como se fosse pouco, às sete ou oito da tarde cai do céu, interminável, uma noite escura...

sábado, 10 de maio de 2008

Melancolia da idade...

Esta que hoje escreve a inflamada melancolia da idade é a mesma que desabafa na desordem dos afectos, a sumptuosidade do coração.
Melhor é desviar-se dos dias cravados a ferro e fogo nesta tábua rasa que é vida contada em anos e afundar-se numa lua em quarto crescente, ao invés de se deter nas noites que crescem em quarto minguante.
O que falta descobrir em nós, está possivelmente nos outros, nos que estão ao nosso lado, no sol que aquece os sonhos da tenra idade, enquanto construímos os castelos de areia da infância e que, nesta urgência de ser, devastamos no passar louco dos anos...
Agora, o mar lembra na sua cadência, o ritmo mais certo das coisas, as certezas e a vida ensina-nos a ser cautelosos, prudentes ou, pelo menos, a tentar ver mais longe, procurando estar perdidos no tempo...
Mais logo a noite virá e com ela o silêncio das estrelas que nos esmaga e nos coloca no ponto mais minúsculo do universo.
A noite, sempre que a desbravamos, torna-nos simultaneamente mais fracos e corajosos como nunca e revela-nos, quando menos queremos, uma parte inteira, tão profunda daquilo que somos, que se fala mais verdade, correm mais palavras e silêncios de um significado transbordante.
O que falta descobrir em nós, está possivelmente nos outros, é uma tarefa que não acaba nunca...

terça-feira, 6 de maio de 2008

Contraponto dissonante...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e tornar-se autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta .
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... "

Fernando Pessoa


... tenho defeitos, vivo ansiosa de mais e fico irritada muitas vezes...

... a minha vida não é a maior empresa do mundo e sei que não vou conseguir evitar a sua falência...

... nem sempre vale a pena viver....apesar de fazer frente a muitos desafios...

... não sou a autora da minha própria história. Embora participe em alguns capítulos...a minha história já estava escrita quando nasci...

... não posso atravessar desertos fora de mim... pois não teria coragem de regressar... oásis nos recônditos da minha alma só em breves momentos perdidos no tempo...

... tenho medo dos meus próprios sentimentos...

... por vezes não tenho coragem para ouvir um "não"...

...Pedras no caminho? Guardei-as todas...não construi um castelo, mas sim uma fortaleza onde ninguém ousa entrar...

segunda-feira, 5 de maio de 2008