O sabor do dia após o outro está repleto de um humor desencantado onde, sem grandes dramatismos (ou será esta aparente apatía um sintoma de pânico total?), nos toca num ponto tão sensível como sermos capazes de aceitar que existe em nós uma grande dose de acaso e de sorte no rumo das nossas vidas, que escapa completamente ao que podemos controlar e dominar. A falta de sentido custa e dói, mas é de uma probabilidade demasiado forte, de vez em quando morde-nos a alma no momento de avançar, quando os dias se revelam mais preguiçosos e desinteressados. À margem, uma estranha e indefinível relação entre o ser e o estar, entre os afectos e as formas, entre lágrimas e as luzes da ribalta... Ao nosso lado, alguém em lugares de passagem, à procura, desta vez, não nas margens, mas no centro do pressentimento desse "alguém", tão denso e tão leve, ao mesmo tempo, tão duro e tão comovente como é a vida de todos os dias...
Bom mesmo, é rever momentos, dos dias ou das noites, que nos parecem poder ser eternos, têm esse sabor incerto da memória pressentida, do que vamos talvez poder guardar para sempre, do que queremos poder salvar de um tempo que apaga e rasga tanto de nós.
Enfim, resta-nos continuar a tentar dar um pouco de côr e sentido aos gestos, às palavras, aos momentos e acreditar que, em cada "jogada", a bola poderá cair do lado certo da rede.
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1 comentário:
joga essa "bola" sempre com a força necessária para a rede passar;
beijinho.
Ricardo!
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