quarta-feira, 23 de julho de 2008

Fado To(l)inho

Dizem que é mau, que faz e acontece!
Arma confusão e o diabo a sete!

Agarrem-me que eu vou-me a ele, nem sei o que lhe faço!
Desgrenho os cabelos, esborrato os lábios...
Se não me seguram, dou-lhe forte e feio!
Beijinhos na boca... Arrepios no peito...
E pagas as favas!
Eu digo, enfim: “Ó meu rapazinho és fraco para mim!”

De peito feito, ele ginga o passo;
arregaça as mangas e escarra pró lado.
Anda lá, meu cobardolas!
Vem cá, mano a mano!
Eu faço e aconteço;
eu posso, eu mando!

Se não me seguram, dou-lhe forte e feio!
Beijinhos na boca... Arrepios no peito...
E pagas as favas!
Eu digo, enfim: “Ó meu rapazinho, sou tão má para ti!”

“Ó meu rapazinho, ai...”
Eu digo assim: “Se não me seguram, dou cabo de ti!”

...à boa moda portuguesa!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Agradecimento...

...soube que, de alguma maneira, todos os passos que deu desde que trocaram o primeiro olhar, eram passos dirigidos ao seu encontro. A sua procura por ele era uma busca interminável... destinada ao fracasso...
Já antes tinham falado o que aconteceria se fossem separados pela força das circunstâncias... soube sempre que as palavras que lhe sussurrara ao ouvido eram absurdas, e devia ter percebido isso desde então... Ele... só ele... foi sempre a única pessoa que desejou, e agora que ele já não está cá, não tem qualquer desejo de encontrar outro... vive-o, até que a morte os separe! Acredita que estas palavras permanecerão verdadeiras até finalmente chegar o dia em que ela, também, será levada deste mundo.
A última notícia que recebeu dele, depois de quarenta anos passados desde a derradeira volta do correio remetida do outro lado do oceano, dava conta da hora da sua morte há dez anos atrás, num motel em Copacabana, cujo nome estava inscrito em letras negras na certidão de óbito.
Agradeceu-lhe, nesse momento, por lhe ter mostrado que chegou a altura em que pôde finalmente deixá-lo partir...
Ainda hoje trás nos olhos uma amargura insane, mas dos seus lábios emana a certeza de que o amor permanece...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Hoje...

...pedi à manhã o teu sorriso, como quem pede um pouco de sol depois de dias consecutivos de um inverno chuvoso...