terça-feira, 26 de maio de 2009

Eu Sei...

Eu nasci nalgum lugar
Donde se avista o mar
Tecendo o horizonte
E ouvindo o mar gemer
Nasci como a água a correr
Da fonte

E eu vivi noutro lugar
Onde se escuta o mar
Batendo contra o cais
Mas vivi, não sei porquê
Como um barco à mercê
Dos temporais.

EU SEI QUE O MAR NÃO ME ESCOLHEU
EU SEI QUE O MAR FALA DE TI
MAS ELE SABE QUE FUI EU
QUE TE LEVEI AO MAR QUANDO TE VI
EU SEI QUE O MAR NÃO ME ESCOLHEU
EU SEI QUE O MAR FALA DE TI
MAS ELE SABE QUE FUI EU
QUEM DELE SE PERDEU
ASSIM QUE TE PERDI.

Vou morrer nalgum lugar
De onde possa avistar
A onde que me tente
A morrer livre e sem pressa
Como um rio que regressa
À nascente.

Talvez ali seja o lugar
Onde eu possa afirmar
Que me fiz mais humano
Quando, por perder o pé,
Senti que a alma é
Um oceano.

Na voz de Mafalda Arnauth...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Diz-me, silêncio, em ruídos...

"Diz-me, silêncio, em ruídos permanentes
singelamente confusos primitivos —
que mão estender à voz que ouvida não
fala comigo ou com ninguém, silente:
Devo tocar como quem chama e pede?
Ou agarrar o que não fala ainda
senão por gestos quase imperceptíveis?
Esperarei perguntas sem resposta?
Responderei perguntas não faladas?
Diz-me, silêncio, em ruídos de que és feito,
como entender-te quando és corpo humano. "

Jorge Sena

sexta-feira, 1 de maio de 2009

... dizem as velhas da praia que não voltas... São loucas!