Eu nasci nalgum lugar
Donde se avista o mar
Tecendo o horizonte
E ouvindo o mar gemer
Nasci como a água a correr
Da fonte
E eu vivi noutro lugar
Onde se escuta o mar
Batendo contra o cais
Mas vivi, não sei porquê
Como um barco à mercê
Dos temporais.
EU SEI QUE O MAR NÃO ME ESCOLHEU
EU SEI QUE O MAR FALA DE TI
MAS ELE SABE QUE FUI EU
QUE TE LEVEI AO MAR QUANDO TE VI
EU SEI QUE O MAR NÃO ME ESCOLHEU
EU SEI QUE O MAR FALA DE TI
MAS ELE SABE QUE FUI EU
QUEM DELE SE PERDEU
ASSIM QUE TE PERDI.
Vou morrer nalgum lugar
De onde possa avistar
A onde que me tente
A morrer livre e sem pressa
Como um rio que regressa
À nascente.
Talvez ali seja o lugar
Onde eu possa afirmar
Que me fiz mais humano
Quando, por perder o pé,
Senti que a alma é
Um oceano.
Na voz de Mafalda Arnauth...
terça-feira, 26 de maio de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Diz-me, silêncio, em ruídos...
"Diz-me, silêncio, em ruídos permanentes
singelamente confusos primitivos —
que mão estender à voz que ouvida não
fala comigo ou com ninguém, silente:
Devo tocar como quem chama e pede?
Ou agarrar o que não fala ainda
senão por gestos quase imperceptíveis?
Esperarei perguntas sem resposta?
Responderei perguntas não faladas?
Diz-me, silêncio, em ruídos de que és feito,
como entender-te quando és corpo humano. "
Jorge Sena
singelamente confusos primitivos —
que mão estender à voz que ouvida não
fala comigo ou com ninguém, silente:
Devo tocar como quem chama e pede?
Ou agarrar o que não fala ainda
senão por gestos quase imperceptíveis?
Esperarei perguntas sem resposta?
Responderei perguntas não faladas?
Diz-me, silêncio, em ruídos de que és feito,
como entender-te quando és corpo humano. "
Jorge Sena
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