´E se eu, habitante de uma aparente apatia, mostrasse os dentes à vida, rosnando o que me sai pela periferia da emoção?
Questiono uma sala vazia, espaço emoldurado por nada e por ninguém ocupado, anfiteatro tornado museu da minha tortura...
Sai a resposta, em ecos de silêncio, perceptivelmente captada pela lógica inerte dos números: és um, não está ninguém, deves ter razão.
Lá fora, amontoam-se abutres, de faca afiada e senha na mão, procurando ocupar este espaço, onde, vestindo um fato buraco, me aliei à loucura.
Angélica, esta vontade de acreditar em qualquer coisa, qualquer coisa suficientemente maior que a nossa dimensão...
Patética, esta dependência da probabilidade, da puta sorte, entremeios, haverá o que houver, será o que for, ou talvez não...
E se, de repente, eu me sentar no mais pequeno degrau da porta de acesso aos bastidores deste estranho Mundo?
Talvez me possa refugiar, cá fora, onde tudo não é quando parece e nada parece quando na realidade existe...
Ocupando o preciso espaço de um candeeiro apagado, serei capa do silêncio, com a inútil máscara de um doer profundo.
Cá fora, outros se agrupam, salivando inveja em sádicos projectos para brilhar.
A isto toda a gente, impávida, assiste...´
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
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