quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Recomeça...

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...



Miguel Torga

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A melhor maneira...

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.

Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for (...) "

 
Álvaro de Campos

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Um momento inesquecível...

"O oceano transformava-se em prata dourada à medida que as cores volúveis se reflectiam nele, as águas encrespando-se e cintilando com a mudança de luz, uma visão gloriosa, quase como no princípio do mundo...
Sublime e mágico, o mistério inesperado de haver agora um mundo onde antes era o nada... e o mesmo mistério do irromper, pujante, do primeiro amor... clarividente, capaz de ver evidências nas mais gritantes disparidades!"

sábado, 18 de setembro de 2010

4º momento nicola

Um dia ainda fazemos das estrelas, a nossa luz de presença, e da areia molhada, o nosso leito aquecido...

3º momento nicola

Um dia vamos montar um cenário com coreagrafias românticas e a banda sonora, a sincronia das nossas respirações...

domingo, 29 de agosto de 2010

Californication

"não há uma forma fácil de dizer isto, por isso vou dizê-lo sem rodeios: conheci uma pessoa. foi um acidente, não estava à procura disto. uma autêntica tempestade. ela (ele) disse qualquer coisa, eu respondi. depois lembro-me de querer passar o resto da minha vida dentro daquela conversa. talvez ela (ele) seja a mulher (o homem) da minha vida. pelo menos é completamente louca (louco) e está sempre a fazer-me rir. (...) essa pessoa és tu. (...) não sei o que nos vai acontecer e não sei por que deves depositar alguma esperança em mim. mas... tu cheiras tão bem, como cheiram as casas, e fazes um café delicioso. isto tem de significar alguma coisa, certo?"



Californication

terça-feira, 6 de julho de 2010

Das minhas memórias...

Embora não possa ouvir os sons harmoniosos do teu sono leve, sei que estás aí, eles irão guiar-me para o lugar onde posso sonhar contigo. Vejo uma chama a meu lado e recordo-me de outras chamas há dias, comigo a vestir as tuas roupas ou a dançarmos juntos pela casa. Sabia então que ficaríamos juntos para sempre, mesmo quando hesitei meses antes. Fiquei assustada quando neguei o nosso amor, porque tinha a certeza que nunca me irias perdoar. Deixaste de fazer perguntas quando eu quis partir, mas sempre soubeste quando precisava que me abraçasses ou apenas que me deixasses estar. Não sei como o sabias, mas sabias, e tornaste tudo mais fácil para mim.
Quando voltámos à capela, soube que o meu coração tinha sido conquistado, preso num laço por um escritor. Mais do que isso, sabia que tinha sido tonta por alguma vez te ter considerado outra pessoa. Desde então nunca mais hesitei. Quem era eu para questionar um amor que cavalgava as estrelas-cadentes e rugia como as ondas que juntos vimos rebentar? Porque era isso que acontecia entre nós.
Passámos uns tempos maravilhosos juntos, e continuo a pensar muito nisso agora.
Tenho a certeza de que pensas que eu não compreendo o que estás a passar, mas compreendo. Acontece que às vezes o nosso futuro é ditado por aquilo que somos, e não por aquilo que queremos.
É uma estranha experiência para mim, porque quando penso em ti e na vida que partilhámos, há muito de bom para lembrar…
Não sei mais o que dizer… é um sentimento diferente para mim, algo que nunca esperei, mas olhando para trás, suponho apenas que não poderia ter acabado de outra maneira. Talvez sejamos diferentes, talvez tenhamos vindo de mundos diferentes e, no entanto foste tu quem me ensinou o valor do amor e sou uma pessoa melhor por causa disso. Quero que nunca o esqueças.
Não me sinto amarga pelo que aconteceu, pelo contrário, estou segura de que o que nós vivemos foi real, e fico feliz por nos ter sido possível estar juntos, mesmo por um breve período de tempo. E se nalgum lugar distante do futuro, nos virmos um ao outro nas nossas vidas, sorrirei para ti com alegria.
Espero que saibas o quanto significas para mim e como os momentos que vivemos foram especiais.
És o meu melhor amigo, e não sei que lado de ti gosto mais… és a “coisa” mais próxima de anjo que alguma vez encontrei.
Amo-te por muitas razões, especialmente pelas tuas paixões, porque sempre foram aquelas coisas boas da vida… amor “em prosa”, a “paternidade”, a amizade, a beleza, a alegria, a sinceridade e fidelidade, a presença constante… és especial e isso leva-me a sentir a miúda mais afortunada do mundo.
Ensinaste-me muitas coisas, agradeço-te por isso… até inspiraste a minha pintura, e nunca saberás o quanto tudo isso significou para mim.
Estás sempre aqui comigo, pelo menos no meu coração.
A razão porque dói tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas, acredito nisso… Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado. E talvez em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos.
Sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura, não de alguém como tu, mas de ti!
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para ti e para mim, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes.
Por favor, não fiques zangado comigo nos dias em que não me lembrar de ti, e ambos sabemos que esses dias virão. Sabe que te amo, que sempre te amarei, e o que quer que aconteça, sabe que vivi a melhor vida possível. A minha vida contigo.
Amo-te agora enquanto escrevo isto, e amo-te agora enquanto lês isto… lamento se não for capaz de to dizer… Amo-te profundamente. És o meu sonho…
 

(2008)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Falta de amplitude técnica...

"Sou a favor dos beijos com língua. Sou contra os xoxos. Pronto, podem-me prender. Onde é que a esquadra mais próxima? Estão aqui as minhas duas mãos, ficarei na cela que me propuserem. Mas antes disso, deixem que me explique, fazendo de todos os que agora estão a ler isto – e gosto de pensar que são muitos - uma espécie de jurados à americana, como nas séries, como na televisão. De modo que é isto, não gosto de xoxos. Para começar, porque nunca sei como é que se escreve. Depois, porque só a palavra em si, é com boa verdade, chochinha. Quando os chochos chegam a uma relação, algo vai mal. E tenho reparado que são muitos os casais a despedirem-se com um, quando se separam para o emprego. É o clássico, o carro pára, um deles deixa o outro no local do emprego, diz-se até logo e cá está, como diria Gabriel Alves “ ohhhhhh, um xooooxinhhho caro telespectador, aí está uma perfeita leitura de jogo, e aqui o temos, um chocho de grande amplitude técnica! Uma maravilha, um hino aos que beijam por esse Portugal fora!”. Mentira, Gabriel Alves nunca diria uma coisa destas, pois tal como eu, sabe que um chocho nunca pode ter qualquer espécie de amplitude técnica. Quando muito, o chocho é o primeiro passo para o beijo na testa. E isso dava eu à minha avó, que Deus a tenha.

Por isso sou tão contra e só admito o chocho em situações de iminente exposição pública. O caso do carro, não é suficiente exposição. Um homem ao despedir-se da sua mulher, deve no mínimo, dar um pouco da sua língua. E ela também. O amor não pode ser celebrado com um chocho. O amor tem que ter língua. E esta deve ser usada, que é para isso que ela serve.
O problema do amor, é ter deixado a língua cá dentro. De a ter retraído com o passar do tempo. De a ter cativa na sua boca. O amor, esse que nos encosta à parede e nos apressa os compassos cardiovasculares e nos tira a roupa e nos desmancha a cama e nos faz não atender o telefone – porque é que nos ligam sempre a estas horas? – esse amor de que agora falo, que nos faz sentir vontade de chegarmos a casa mais cedo e mandarmos uma sms a dizer que estamos inquietos no trabalho só de pensar que daqui a pouco estaremos juntos – E vamos estar juntos - e telefonar só para ouvir a voz do outro, e mandar uma tosta mista para o emprego dela com um papel a dizer “ Toma, é para ti!” , esse amor ouçam : esse amor, precisa de língua. E por isso mesmo, nunca se poderá celebrar com um chochinho! "

Fernando Alvim

quinta-feira, 15 de abril de 2010

25/9/1929

Ex.ma Senhora Dona:
Um abjecto e miserável indivíduo chamado Fernando Pessoa, meu particular e querido amigo, encarregou-me de comunicar a V. Ex.ª - considerando que o estado mental dele o impede de comunicar qualquer coisa, mesmo a uma ervilha seca (exemplo de obdiência e da disciplina) - que V. Ex.ª está proibída de:
(1) pesar menos gramas
(2) comer pouco
(3) não dormir nada,
(4) ter febre,
(5) pensar no indivíduo em questão.

Pela minha parte, e como íntimo e sincero amigo que sou do meliante de cuja comunicação (com sacrifício) me encarrego, aconselho V. Ex.ª a pegar na imagem mental, que acaso tenha formado do indivíduo cuja citação está estragando este papel razoavelmente branco, e deixar essa imagem mental na pia, por ser materialmente impossível dar esse justo destino à entidade fingidamente humana a quem ele competeria, se houvesse justiça no mundo.
Cumprimenta V. Ex.ª,

Álvaro de Campos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entre o minuto 32 e 33!

´Mas mestre, o que é isso que os poetas chamam de Amor?
Ora, pertinaz pupilo, Amor é não é fogo que arde, nem ferida que doí, nem contentamentos descontentes, isso é dor de qualquer-coisa-que-não-é-amor.
Amor, saibam os poetas ou não, é o que acontece mais ou menos entre o minuto 32 e 33, exactamente na altura que tens que pagar mais 50 centimos pelo amaciador com cheiro a rosas-de-santa-teresinha, e vês entrar pela porta da Lavandaria, aquela moça com quem não te importavas de ter a roupa intima enrolada, as meias trocadas, os pulovers encolhidos, as t-shirts tingidas.
Amor, amor só acontece em lavandarias self-service, onde tens que ir metendo moedas como quem joga no casino.
Só ai, nessa dimensão retro, entre o detergente em pó e o soflan, onde o som do rádio se mistura com os tambores das máquinas, pode o Amor acontecer.´

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Tenho sede de ti...

...nem imaginas a sede que eu tenho, ao ponto de me sentir a desidratar a pele da alma!
Fizeste-me embater em algo que me desviou dos versos inacabados, mas que atordoou este meu admirar. Por dentro desta cortina de intensidade há um sentimento de pureza que apenas se encontra nas coisas belas da vida. Um verdadeiro embate. Uma enormidade….

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Talvez não haja tudo quanto querias...

Ao teu redor talvez não haja tudo quanto querias, as alegrias imediatas em todos os momentos, a perfeição imaginada para qualquer bocado de vida, quando a comparação com o que ouvimos dos outros é uma história que nos deixa sentidos.
Ao teu redor talvez não haja tudo quanto querias, mas há pequenos momentos tão valiosos, muitos deles secretos, rápidos, coisas nunca ditas, uma surpresa inesperada, uma simples flor.
Ao teu redor talvez não haja tudo quanto querias, mas há seguramente a tua vida, seus encantos, quem te quis bem e desejou que um dia fosses feliz, e ser feliz tem tanto que se lhe diga que fica sempre muito por explicar ou acontecer.
Ao teu redor, sim ao teu redor, por que não olhar?

Há, com certeza, inúmeros sinais, estrelas, uma brisa, uma luz que brilha não se sabe bem de onde e surpreende a memória do passado em que nos fomos moldando, a esperança de um futuro que queremos mais perto...

domingo, 3 de janeiro de 2010

2010... Este é o momento!

`Sento-me à janela muitas vezes. Olho vezes sem conta para os mesmos horizontes. Procuro neles o conforto de algo familiar e descubro neles, sempre, algo de novo. É assim para mim, "A aprendizagem". Como uma viagem que começa na janela do meu pensamento, mas que pode ser de qualquer um. (...) Claro que não basta o pensar, ele de pouco serviria sem o sentir. Estar apaixonado como o estrondo e a luz num festejo de fogos de artifício, descobrir o amor e vivê-lo com a "Agulha do tempo" a girar sobre nós, dar continuidade  vida, perdê-lo... Deixamos o tempo passar, apagamos essa "Luz Breve" dentro de nós e voltamos à vida...
Sento-me novamente à janela. Em que hei-de pensar?`


Margarida Pinto