quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Entre o minuto 32 e 33!

´Mas mestre, o que é isso que os poetas chamam de Amor?
Ora, pertinaz pupilo, Amor é não é fogo que arde, nem ferida que doí, nem contentamentos descontentes, isso é dor de qualquer-coisa-que-não-é-amor.
Amor, saibam os poetas ou não, é o que acontece mais ou menos entre o minuto 32 e 33, exactamente na altura que tens que pagar mais 50 centimos pelo amaciador com cheiro a rosas-de-santa-teresinha, e vês entrar pela porta da Lavandaria, aquela moça com quem não te importavas de ter a roupa intima enrolada, as meias trocadas, os pulovers encolhidos, as t-shirts tingidas.
Amor, amor só acontece em lavandarias self-service, onde tens que ir metendo moedas como quem joga no casino.
Só ai, nessa dimensão retro, entre o detergente em pó e o soflan, onde o som do rádio se mistura com os tambores das máquinas, pode o Amor acontecer.´

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